No táxi, importante e segura, eu pedi: “Museu de Belo Horizonte, por favor.”. Acontece que o chofer não sabia onde ficava. E o pior que eu também, não.
“É lá em Lourdes, ‘praqueles’ lados”, disse, afetando saber.
Afinal, eu ia fazer uma reportagem sobre o museu e se eu não soubesse...
Eu me lembrava de ter visto aquele casarão antigo, mas nunca encontrara tempo para ir lá. Afinal é tanto cinema, tanta coisa para a gente fazer que esse negócio de museu...
Afinal, conseguimos chegar. As placas nos ajudarão além de um outro motorista.
“É só pegar a Olegário Maciel e lá no fim da rua etc...”
No meio de magníficas residências modernas, lá está o casarão antigo: Museu Histórico.
No caminho, fui conversando com o motorista:
“Mas o senhor não é daqui?”
“Sou nascido e criado aqui.”
“E nunca veio ao Museu?”
Já na porta, ele me confessa:
“Eu pensei que fosse o Museu de Cera. Saí de lá morrendo de medo.”
“Não. Esse é o Museu Histórico, é coisa muito diferente. O senhor deveria vir, blá... blá...blá...”
E eu entrei. E me maravilhei com as coisas que vi. E fiquei pensando...
O Sr. José, da portaria, foi muito amável. Ofereceu o telefone: o fotógrafo não chegava. Havia mil coisas belíssimas, raras, pitorescas, para fotografar. Que pena que eu não tinha a tarde toda para ver, ler, estudar todas aquelas coisas. O passado, a história estava ali; para ver, sentir. Talvez até reviver...
Belo Horizonte e o tempo ficaram lá fora.
Ali era Curral Del Rei, início do século. Eu me sentia uma sinhá-moça; só que não tinha o vestido comprido, as rendas, as fitas...
Na frente do Museu, uma placa dourada:
Esta casa foi construída pelo distinto curralense Sr. Cândido Lúcio da Silveira em 1883, e é a única intacta que restou do antigo Curral D’El Rei.
Esta casa foi construída pelo distinto curralense Sr. Cândido Lúcio da Silveira em 1883, e é a única intacta que restou do antigo Curral D’El Rei.
Um pouco de História e da história do Museu: seu fundador foi Abílio Barreto, jornalista e escritor, que, em 1953, foi encarregado do Arquivo Municipal. Em 1941, JK, então prefeito, criou o Arquivo (...). Em 18 de fevereiro de 1843, o dr. Abílio Barreto foi o primeiro diretor. Hoje faz parte do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Para vocês terem uma idéia do Museu:
No andar superior tem onze cômodos e uma grande varanda, com os móveis e utensílios instalados à mesma maneira de 100 anos atrás. Nos quartos, camas antigas cobertas de colchas de crochê. Embaixo, duas salas são ocupadas por gentis secretárias. Há também oito serventes e duas funcionárias, encarregadas da conservação do Museu.
Num salão que deve ter sido um porão de fazenda, há uma grande maquete da cidade. Feita na época do planejamento da mudança da capital.
Há uma roda de leme do encouraçado Minas Gerais. Grilhetes, correntes e troncos para castigar os escravos rebeldes. Nas paredes, quadros e fotografias dos primeiros prefeitos e autoridades de Minas.
Lá fora, no páteo, a Mariquinha, uma das primeiras locomotivas que serviu na construção da cidade; um bonde, um carro de boi; canhões do tempo da Revolução de 32 e estátuas de nus artísticos dos primeiros tempos de BH (do tempo que as donzelas viravam o rosto ao vê-los). Logo na entrada, estão expostos os primeiros transmissores de rádio, telegrafia e telefonia.
Subindo por uma escadinha de madeira, chega-se a uma sala, com belíssimos móveis de vime japonês. Ao lado do sofá, escarradeiras de porcelana decorada, que pertenceram ao antigo Teatro Municipal, hoje Cine Metrópole.
Noutra sala, uma mesa artística em mosaico feita em Minas e premiada em Turim em 1911, pianos, quadros, relógios, cristaleiras e etagerts, buffets, com porcelanas que pertenceram às primeiras famílias de BH.
No texto de um grande salão, há um magnífico lustre de cristal. Canapés, rocas de fiar, cômodas, máquinas de datilografia das primeiras a serem fabricadas.
Também o primeiro rádio (fabricação alemã, 1929) pertencente à Rádio Experimental Mineira, hoje PRC-7 – Rádio Mineira.
Enfim, o Museu, pelos seus tesouros e sugestões aos estilos modernos de viver é algo apaixonante.
Vá vê-lo e comprove...













